História e a ditadura

História e a ditadura

O professor, o conhecimento da história e a ditadura

13/03/2017 

Um colégio não deveria ter esses medos.
Uma escola é o lugar para que se ilumine, e não para que se
jogue o conhecimento da História em quartos escuros.
Os professores que sobrevivem às pressões precisam do
apoio dos que estão dentro e fora do colégio.

O golpe foi consumado, a direita fez a partilha do poder entre PMDB, PSDB e seus satélites e ninguém mais ouviu falar dos defensores de uma intervenção militar.

As passeatas com o pato da Fiesp sempre tinham a turma do golpe fardado. Pregavam a volta de um governo “de força” com o argumento de que tal saída estava prevista na Constituição. Se há roubo e baderna, diziam eles, os militares devem ser chamados. Era mais uma ameaça do que um desejo.

O golpe civil aconteceu, os corruptos da direita ocuparam o lugar de quem consideravam corruptos de esquerda, e os defensores da nova ditadura desapareceram junto com os batedores de panela.

Há quem pense que os adoradores de governos militares são uma minoria insignificante. Não são tão minoria assim. Apenas estão calados e constrangidos com a ajuda que deram para que a quadrilha do Jaburu chegasse ao poder.

Mas leio agora, em reportagem de Fernanda Canofre, no Sul21, http://www.sul21.com.br/jornal/professor-que-coordenava-projeto-critico-a-ditadura-militar-e-desligado-da-escola-costa-e-silva/  que o professor José Luís Morais foi mandado embora da Escola Estadual Presidente Costa e Silva, de Porto Alegre, porque estudava a ditadura com os alunos. Ele e outros professores também defendiam que a escola trocasse de nome.

Medo de quem: dos professores ou dos ditadores?

O professor contou ao Sul21 que foi informado pela direção de que seria dispensando por mexer demais com o passado. E o passado, dependendo de como se passou, deve ficar jogado num canto das escolas.

Morais não tinha estabilidade, por estar ali por nomeação e convocação, é o que se sabe. O caso não quer dizer que os responsáveis pela demissão (de onde veio a ordem?) sejam defensores do acervo ético e moral de ditadores.

Mas um episódio como esse deve ter relação com alguns medos e ‘respeitos’ que sobrevivem até hoje a todos os esforços para que não se elimine a memória do que foi a ditadura e do que foram os prepostos ferozes e/ou medíocres como o general Costa e Silva.

“As disciplinas de filosofia, sociologia e história são importantes na compreensão do ser humano, consciente e conhecedor de si mesmo e, igualmente, inserido em seu contexto social. Com a Reforma do Ensino Médio, serão optativas, correndo risco de não mais serem estudadas”. (Nei Alberto Pies)

Um colégio não deveria ter esses medos. Uma escola é o lugar para que se ilumine, e não para que se jogue a História em quartos escuros. Os professores que sobrevivem às pressões precisam do apoio dos que estão dentro e fora do colégio.

Torcemos para que os colegas de Morais resistam ao cerco dos simpatizantes de Costa e Silva, fortalecidos pela inspiração dos que resistiram à ditadura. E que todos se preparem para a revanche sem fim da direita. Eles agem não só nos espaços formais da política, mas nas escolas, nas empresas, nas ruas, na imprensa, na Justiça e onde a democracia puder ser pisoteada.

Veja um exemplo intrigante de um professor na sala de aula caso seja aprovado o “Escola sem Partido no Brasil”.

Foto: Guilherme Santos, Sul21

 

http://www.neipies.com/o-professor-o-conhecimento-da-historia-e-ditadura/ 

 

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