Apócrifos da Educação

Apócrifos da Educação

 

Wolmer Ricardo Tavares - Revista Gestão Universitária - 21/08/2014 - Belo Horizonte, MG

 

A educação pública brasileira é feita de alguns apócrifos, ou seja, expressão usada para uma obra sem fundamento, uma falsa verdade que através dos políticos oportunistas enchem a boca para falar que a educação no seu mandato teve progresso, que os professores foram valorizados e muitas outras enxurradas de besteiras que um povo néscio acredita como evolução para um país melhor de um povo que tem muito sofrido.

Não é difícil buscarmos a refutação destas pseudo verdades ou comprovarmos que realmente o que se diz sobre a educação pública brasileira é mesmo baseado em apócrifos, basta percebermos a realidade de nossos educandos, apesar de algumas manipulações que funcionam como cortinas de fumaça para uma opacidade, escondendo a verdade deste povo que se encontra em estado de inércia e alienante.

Como podemos perceber, vontade em mudar a realidade da educação brasileira existe, mas não sai do papel. Essa vontade não é seguida de intenção e ação. Por exemplo, em 2006 um grupo de empresários e políticos firmou um compromisso em prol da educação. O projeto foi denominado Todos pela Educação, e neste, continha itens relevantes como a presença na escola por todas as pessoas entre 7 e 17 anos, assim como todos os indivíduos de 8 anos já deverão dominar a leitura, olha que aqui não faz menção ao letramento. Outros itens de igual importância foram discutidos, mas como percebe-se com a realidade, isso tudo não passou de projeto para chamar a atenção do povo e mais uma vez ludibria-lo.

Vamos à realidade. Hoje apenas 47% dos alunos que entram na primeira série terminam o 9º ano na idade correspondente, e 14% concluem o ensino médio sem interrupção e apenas 11% chegam à universidade. Dos alunos que vão para o 5º ano, 61% não conseguem interpretar um simples texto e 65% não dominam o cálculo (operações básicas). De acordo com o IPM (Instituto Paulo Montenegro) 38% dos alunos universitários são analfabetos funcionais, ou seja, estamos dando diplomas a verdadeiros idiotas.

E mais uma vez, vemos políticos que representam não a vontade de um povo, porque um povo mal esclarecido não consegue demonstrar sua vontade. Tais políticos representam apenas a escória da humanidade, alheio a ética, ao humanismo e preocupados apenas com o próprio bem estar. Temos nestes políticos o câncer que consome aos poucos a sociedade. Na verdade somos meio que Prometeu que encontramo-nos em uma amarra vendo a águia comer nosso fígado de dia e renascer a noite para acontecer o que todos chamam de Déjà vu., ou seja, algo já visto, e assim vai caminhando a humanidade, com “o homem lobo do próprio homem”.

Precisamos perceber que o capital humano é essencial para o crescimento de qualquer nação e educação não pode ser vista como custo, mas como investimento para um país melhor, mais digno, ético e humano, formado por verdadeiros cidadãos conscientes e ativos, e ciente disto, tais políticos ao invés de criarem pessoas com capital humano bem desenvolvido, criam pessoas amorfas, alienadas e verdadeiros gados de manobra a perpetuar o poder corruptor de uma minoria esmagadora.

Por exemplo, o senado está discutindo o fim do `ç`, `ch` e `ss` na língua portuguesa. Ou seja, ao invés deles resolverem problemas na educação, eles querem economizar, pois sob a cortina de um argumento em facilitar o aprendizado, na verdade é frisando uma porca economia, pois em vez das atuais 400 horas/aula de ortografia ministradas desde o início do fundamental até o fim do ensino médio, reduziria para 150 aproximadamente. Como foi dito... educação não é gasto, é investimento.

Diante de tal projeto estéril, uma simples frase ficaria da seguinte forma:

Fasa Sol ou fasa xuva, o omem pasa dias buscando conhecimento, para alcansar a eselênsia, fasendo ezames e qerendo voar como Ícaro com suas azas de cera.

Dura realidade essa nossa em relação a educação pública brasileira. Caso continue assim, teremos nela uma fonte de segregação, ou seja, a dissociação de outros indivíduos e/ou grupos causando um abismo social.

Autor: Wolmer Ricardo Tavares. Mestre em Educação e Sociedade. Atua como professor universitário, palestrante e escritor. Para mais informações vide www.wolmer.pro.br




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